Lucas Peralles esclarece: A creatina deixou de ser um suplemento apenas para quem quer ganhar massa muscular?

Diego Velázquez
7 Min de leitura
Lucas Peralles

Durante muitos anos, bastava ouvir a palavra “creatina” para associá-la imediatamente a fisiculturistas, atletas ou pessoas interessadas em ganhar massa muscular. Esse cenário, no entanto, mudou de forma significativa. Nos últimos anos, o suplemento passou a ocupar espaço em pesquisas científicas sobre envelhecimento saudável, saúde metabólica, desempenho cognitivo e preservação da capacidade funcional, despertando o interesse de médicos, nutricionistas e pesquisadores de diferentes áreas da saúde.

Lucas Peralles, nutricionista esportivo, explica que essa mudança aconteceu porque a ciência começou a compreender melhor o papel da creatina no organismo. Em vez de enxergá-la apenas como um recurso voltado ao desempenho esportivo, estudos passaram a investigar como ela pode contribuir para diferentes fases da vida quando utilizada de forma adequada e associada a hábitos saudáveis. Isso não significa que todas as pessoas precisam utilizá-la, mas demonstra que a creatina deixou de ser um suplemento restrito às academias.

Por que a creatina passou a chamar a atenção da ciência?

A creatina é uma substância produzida naturalmente pelo organismo e também obtida por meio da alimentação, principalmente em carnes e peixes. Sua principal função é participar da produção rápida de energia para células que apresentam alta demanda energética, como as musculares. Esse mecanismo explica por que ela sempre esteve relacionada ao desempenho físico e ao treinamento de força.

Entretanto, à medida que novas pesquisas foram sendo publicadas, os cientistas perceberam que sua atuação poderia ir além do aumento de força ou do ganho de massa muscular. Atualmente, diferentes estudos investigam a relação da creatina com a preservação da massa magra durante o envelhecimento, a recuperação após exercícios, o funcionamento cerebral e até aspectos ligados à saúde metabólica. Ao analisar essa evolução, Lucas Peralles destaca que o interesse científico cresceu justamente porque o suplemento passou a ser estudado dentro de uma perspectiva mais ampla de saúde e qualidade de vida.

A creatina faz sentido apenas para quem treina pesado?

Esse talvez seja um dos maiores mitos relacionados ao suplemento. Embora atletas e praticantes de musculação continuem sendo um dos grupos que mais utilizam creatina, eles estão longe de ser os únicos que despertam interesse das pesquisas atuais. Na contemporaneidade, idosos, mulheres, pessoas em processo de emagrecimento e indivíduos que buscam preservar massa muscular também fazem parte das populações avaliadas em estudos científicos.

Isso acontece porque a massa muscular exerce funções muito mais importantes do que apenas produzir força. Ela participa do controle da glicemia, influencia o gasto energético, favorece a mobilidade e contribui para a autonomia ao longo da vida. Além disso, Lucas Peralles ressalta que preservar músculos tornou-se uma estratégia importante dentro da medicina preventiva. Nesse contexto, a creatina pode representar uma ferramenta complementar quando existe indicação profissional e quando faz parte de um planejamento nutricional individualizado.

Suplementar é suficiente para melhorar os resultados?

O crescimento do mercado de suplementos fez com que muitas pessoas passassem a procurar soluções rápidas para alcançar seus objetivos. Em alguns casos, cria-se a expectativa de que um único produto seja capaz de compensar uma alimentação inadequada, noites mal dormidas ou uma rotina marcada pelo sedentarismo. No entanto, essa lógica não encontra respaldo na ciência.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

Sob essa perspectiva, Lucas Peralles explica que suplementos não substituem hábitos saudáveis. A creatina pode oferecer benefícios em diferentes situações, mas seus resultados dependem de um contexto muito maior, que inclui alimentação equilibrada, treinamento adequado, recuperação, sono e consistência. Essa também é uma das bases do trabalho desenvolvido na Clínica Peralles por meio do Método LP, que entende a transformação corporal como consequência da construção de autonomia alimentar e de mudanças comportamentais sustentáveis, e não da utilização isolada de qualquer suplemento.

O futuro da creatina está na performance ou na saúde?

O aumento do número de pesquisas indica que a creatina continuará sendo estudada sob diferentes perspectivas nos próximos anos. Além da nutrição esportiva, cresce o interesse por seu potencial dentro das estratégias voltadas ao envelhecimento saudável, à preservação da capacidade funcional e à manutenção da qualidade de vida. Esse movimento mostra como a ciência vem ampliando a compreensão sobre o papel da suplementação em diferentes fases da vida.

Diante desse cenário, Lucas Peralles acredita que o maior avanço não está apenas na descoberta de novos benefícios, mas na mudança da forma como as pessoas enxergam esse tipo de recurso. Em vez de associar a creatina exclusivamente ao ganho de massa muscular, torna-se mais importante compreender quando ela realmente faz sentido, para quem ela pode ser indicada e como ela deve ser integrada a uma estratégia completa de cuidado com a saúde.

A ciência mudou a forma de olhar para a creatina, mas os hábitos continuam sendo protagonistas

A evolução das pesquisas mostrou que a creatina deixou de ocupar um espaço restrito ao universo esportivo. Hoje, ela faz parte de uma discussão muito mais ampla sobre prevenção, preservação muscular e saúde metabólica, refletindo uma transformação importante na maneira como profissionais da saúde entendem o envelhecimento e a qualidade de vida.

Em suma, Lucas Peralles evidencia que nenhum suplemento substitui aquilo que continua sendo o principal determinante da saúde: a construção de hábitos consistentes. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, recuperação adequada e autonomia para fazer boas escolhas permanecem como os pilares de qualquer estratégia voltada para resultados duradouros. A creatina pode ser uma aliada importante em determinadas situações, mas o verdadeiro diferencial continua sendo a forma como cada pessoa cuida do próprio corpo todos os dias.

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